Neonatologistas, cirurgiões de diversas áreas, especialistas em emergência médica, em gestão da ferida crónica, e responsáveis de comissões de prevenção e controlo da infeção, entre outros peritos nacionais e estrangeiros, reuniram-se em Sintra para analisar o impacto da utilização da octenidina na prevenção e controlo da infeção, um encontro promovido pela Schülke.
A segunda conferência internacional dedicada à octenidina aconteceu no dia 30 de setembro e proporcionou a apresentação de um vasto conjunto de dados clínicos e partilha de experiências na utilização desta molécula antisséptica de nova geração, descoberta pela Schülke, uma farmacêutica de origem Alemã, com 125 anos de experiência, liderada, em Portugal, por Ana Beatriz Gaminha. A responsável fez a apologia da história e cultura portuguesa enquanto exemplo da capacidade de “resistir e ultrapassar os obstáculos”. Para Ana Beatriz Gaminha importa encontrar soluções e oportunidades, “tanto da indústria, como de todos os profissionais de saúde, para que o acesso ao medicamento e às novas terapêuticas seja uma realidade; que chegue a todos os doentes e que melhore a sua qualidade de vida”. A diretora-geral da Schülke Portugal realçou a importância da descoberta e desenvolvimento desta nova molécula, com provas dadas em diversas áreas clínicas.

Uma infeção a menos é mais na vida do recém-nascido

Para Maria Teresa Neto, neonatologista no Hospital Dona Estefânia e Professora da Faculdade de Ciências Médicas, responsável pela primeira apresentação, no controlo de infeção nos cuidados neo-natais, todas as medidas são importantes. “Sabemos que os recém-nascidos são extremamente frágeis, débeis e suscetíveis à infeção, portanto todos os cuidados são fundamentais, desde a lavagem das mãos, até ao ensino aos pais quanto à forma como devem cuidar das crianças”. Razão pela qual, segundo a especialista, o antisséptico da pele também o é. “Mudámos porque estávamos descontentes com o desinfetante que tínhamos”, disse. “Mudámos porque já conhecia este produto”, referindo-se à octenidina, que revelou “contribuir para uma redução da infeção hospitalar, além de não apresentar efeitos secundários”. Teresa Neto

sublinhou que o número de crianças doentes que trata no Hospital Dona Estefânia não permite chegar a um valor estatisticamente significativo, no entanto, revelou que em algumas áreas se verificaram “quedas entre 30 a 60 por cento na taxa de infeção”. Segundo a neonatologista, os resultados obtidos com a octenidina são relevantes, até porque “basta
um recém-nascido a menos com infeção para ser importante”. Teresa Neto lembrou não só o benefício que advém de prevenir um episódio de infeção, mas acima de tudo as consequências deste: “não é só a infeção, não são apenas os antibióticos que se consomem, a resistência aos antimicrobianos, ou o número de dias de internamento a mais, é a repercussão de uma infeção sistémica nosocomial sobre o recém-nascido”. Para a especialista, trata-se de evitar também danos a médio e longo prazo, “nomeadamente, as possíveis sequelas no aparelho respiratório ou no sistema nervoso central”.

Estratégia contra a infeção por Staphylococcus aureus

Também Angelika Berger, diretora do serviço de neonatologia Medizinishe Universitat Wien, na Áustria, abordou a problemática da infeção no recém-nascido, com enfoque na descolonização de MSSA para redução das infeções em prematuros. “Se pretendemos reduzir a taxa infeção nos bebés prematuros, precisamos trabalhar constantemente esta questão com as nossas equipas, sensibilizando
os profissionais para o problema, melhorando e reforçando as medidas de prevenção. Temos de
educar e treinar os pais, as visitas, os enfermeiros, e isso é o mais importante”, disse. “Quando se trata de prestar cuidados de saúde a bebés extremamente prematuros, com 23 a 25 semanas, há que perceber
que têm uma pele muito sensível. O que sabemos é que com a utilização de octenidina apenas,
sem associarmos álcool, temos menos efeitos secundários, como irritações na pele ou queimaduras,
quando comparado com a clorohexidina”. Outra mensagem deixada pela especialista austríaca, que
resultou do estudo realizado na unidade que dirige, foi a redução das infeções invasivas causados por
Staphylococcus aureus, através da implementação de rastreios e estratégias de descolonização.

Experiências de sucesso na cirurgia vascular (Pé Diabético)

José Neves, cirurgião vascular e diretor da Unidade de Pé Diabético do Hospital Curry Cabral, um dos oradores na mesa sobre “Gestão da Ferida nas Diferentes Especialidades Cirúrgicas” afirma que “O Pé Diabético é uma complicação, talvez a mais importante da diabetes pelos elevados custos económicos e sociais para além do impacto altamente negativo que tem na qualidade de vida dos doentes e respetivos agregados familiares. Caracteriza-se pela presença de uma úlcera no pé das pessoas com diabetes que tem tendência para a cronicidade e consequentemente tendência para infetar, constituindo-se como um
fator de elevado risco para a amputação do pé. O tratamento local da úlcera diabética é em minha opinião extremamente importante e decisivo para a preservação do pé. O uso de antibacterianos locais, e concretamente de octenidina, permitem uma redução da carga bacteriana na úlcera, contribuindo para a prevenção e/ou tratamento da infeção desta. Sobre as vantagens da sua utilização da molécula de octenidina relevo o seu rápido início de ação e o largo espetro antimicrobiano, para além da ausência de toxicidade ou reações adversas bem como o fato de não provocar dor. A nossa opinião é alicerçada numa vasta experiência de uso no tratamento de úlceras crónicas quer em ambulatório quer em internamento”. Sobre o evento, o especialista considerou que “A Segunda Reunião Internacional sobre octenidina foi altamente positiva não só pelo nível científico das apresentações mas também pela artilha das experiências de uso da molécula de octenidina na prática clínica pelas várias especialidades representadas” .

Mudanças em curso

Alfred Grün, da Schülke Internacional admitiu ficar bastante impressionado com a qualidade das apresentações e desta 2ª Conferência Internacional de Octenidina em Portugal. “Vou daqui com a noção
de que Portugal está num processo de mudança relativamente aos modelos mais tradicionais para modelos mais inovadores no que diz respeito a adoção de novas terapêuticas. Esta mudança está a tornar-se cada vez mais importante, assente na análise de risco e a eficácia. Sabemos que a molécula octenidina não apresenta os riscos que estão associados às substâncias terapêuticas tradicionais nem resistências até agora conhecidas, dado ser uma molécula de nova geração” Alfred Grün acredita que esta viragem acabará também por ocorrer progressivamente em Portugal.

Sven Schedenig, também em representação da Schülke internacional, reafirmou igualmente a qualidade do painel de oradores, e inclusive a presença de relevantes personalidades do setor da saúde e do medicamento: Ana Paula Martins, Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Rosa Matos presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Ana Escoval, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central, Francisco Ramos, presidente do Conselho de Administração do IPO Lisboa e Rui Tato Marinho da Ordem dos Médicos. Na perspetiva de Sven Schedenig, e apesar de haver constrangimentos relacionados com a restrição orçamental na Saúde em Portugal, existem também protocolos para a introdução de inovação. “Para nós, Schülke, que propomos a octenidina como nova alternativa, importa trabalhar no sentido de encontrar soluções para levar o nosso medicamento aos nossos parceiros, que buscam também soluções para prevenir a infeção”. Segundo o responsável da Schülke internacional, trata-se de “um processo que não acontece de um dia para o outro”, até porque existem outros produtos bem estabelecidos e há muito tempo no mercado. “Estamos disponíveis para apoiar e colaborar com os nossos clientes, em particular os hospitais, com o nosso portefólio de soluções inovadoras, e desta forma contribuir para uma redução da infeção também em Portugal”.

Estudos multicêntricos na Alemanha demonstram eficácia

Jörg Siebert, do Departamento Médico e Científico da Schülke & Mayr, apresentou os resultados de dois estudos a decorrer em dois hospitais germânicos. O especialista trouxe à reunião a experiência do banho preventivo com octenidina para eliminar organismos multirresistentes e infeções da corrente sanguínea, em unidades de cuidados intensivos. “Existem novos conceitos para descolonizar os doentes em UCI e um dos novos conceitos é a utilização de produtos baseados na octenidina”, referiu. “Temos dois estudos multicêntricos em curso em hospitais públicos na Alemanha, de elevado valor científico, que comparam os resultados das formulações de octenidina, com as de clorohexidina e placebo em cuidados ntensivos”. De acordo com Jörg Siebert os resultados são promissores. “Estamos no bom caminho para demonstrar que a octenidina é tão eficaz quanto a clorohexidina. Estamos confiantes em relação à octenidina e às vantagens que tem demonstrado face à clorohexidina, em particular nas reações alérgicas e irritação cutânea”. O especialista sublinhou a redução das reações anafiláticas e também das resistências. Sabemos que o clorohexidina é amplamente utilizada, já com registo de algumas alterações, especialmente no campo do gram-negativo, o que não acontece com a octenidina, devido à diferença entre ambos”.

Novas opções são importantes

Os desafios e mudanças na prevenção da infeção em Portugal foram abordados nesta reunião por Filipe Froes, membro do Conselho Científico do PPCIRA (é mais abrangente) e coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos no Hospital Pulido Valente, e por Carlos Palos, coordenador da Comissão de Controlo da Infeção do Hospital Beatriz Ângelo. “Nesta reunião, ficou documentado de uma forma muito clara que as resistências antimicrobianas são um problema transversal, crescente, o qual exige uma maior atenção de todos os profissionais de saúde, das autoridades de saúde, mas também da população”, afirmou Filipes Froes, que alertou para o facto de ser um problema que afeta toda a sociedade. “Foi também documentado, de forma igualmente clara, que neste momento as ferramentas
de que dispomos, nomeadamente a mupirocina e a clorohexidina, são ferramentas úteis que devem ser implementadas e acompanhadas de um programa de controlo de infeção e de monotorização da realidade, mas que merecem e já têm uma alternativa mais válida, quer em termos de segurança, menor
toxicidade e menor promoção de resistências”. Na perspetiva do coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos no Hospital Pulido Valente, os dados apresentados na conferência demonstram isso mesmo. “Já tive doentes com resistência à mupirocina, e estão a ser detetadas também resistências à clorohexidina”, declarou. “Como tudo na vida, temos de valorizar a biodiversidade e ,portanto,  temos de ter clorohexidina, mas não temos de estar dependentes exclusivamente desta. Temos de ter outros produtos e a octenidina representa uma grande vantagem”, afirmou Filipe Froes. Para o especialista, “depois, é fundamental saber e utilizar todo este conjunto de comportamentos e fármacos, integrados numa política, em recomendações e normas”. Filipe Froes adverte que esta problemática deve ser encarada como um processo dinâmico e que “à semelhança da norma da Direção Geral da Saúde, já com três anos, é normal que em algumas zonas não reflita a verdadeira evidência científica atualmente disponível”.

Mente aberta para fazer melhor

Carlos Palos, coordenador da Comissão de Controlo da Infeção do Hospital Beatriz Ângelo sublinhou a necessidade de haver uma atenção e atualização permanente face aos problemas das resistências aos antimicrobianos, transmissão das colonizações e infeções daí resultantes. “Uma mente aberta, implica que façamos o melhor em termos de rastreios, isolamentos e também no que diz respeito aos produtos que podemos utilizar na sépsia”, afirmou. Carlos Palos referiuse não só à descolonização dos doentes, mas também à descontaminação e limpeza ambiental, instrumentos cirúrgicos e outros equipamentos.
Sobre a octenidina, Carlos Palos afirmou que quando comparada com outros produtos utilizados atualmente apresenta algumas diferenças. “Poderão ser vantagens competitivas, nomeadamente relacionadas com a toxicidade cutânea, um maior espectro de ação ou até de uma maior duração do efeito”. O coordenador da Comissão de Controlo da Infeção do Hospital Beatriz Ângelo defende que a
introdução de novos produtos requer uma avaliação criteriosa e uma análise ampla, também em termos
de custo-efetividade. “Competirá a cada hospital decidir qual o produto que vai utilizar, bem como aos
organismos nacionais e internacionais. Incluir todos os produtos, desde que haja evidência de vantagem no seu campo de ação”.

Menos doença, mais qualidade de vida

Ana Beatriz Gaminha, Diretora-Geral da Schülke em Portugal reforçou a convicção numa estratégia de cooperação para alcançar tais objetivos. “Somos uma companhia que acredita que seremos parceiros para encontrar soluções para baixar os níveis de infeção hospitalar em Portugal”. Valorizou o trabalho conjunto nomeadamente da experiência clínica já demonstrada nos vários Hospitais em Portugal com a molécula octenidina através das excelentes competências dos profissionais de saúde portugueses onde primou o envolvimento de todos. Só com ações conjuntas com todos os parceiros na área da saúde é possível encontrar as melhores soluções para disponibilizar terapêuticas inovadoras para todos os portugueses. Queremos contribuir para que haja cada vez mais uma prevenção ativa, resultando em cada vez menos doentes e cidadãos com mais qualidade de vida e maior acessibilidade às novas terapêuticas”